Fusão com a Dell vai ser benéfica para mercado e clientes, garante EMC

A empresa que nascerá da fusão entre Dell e EMC começa, aos poucos, a tomar forma. O nome já foi definido: Dell Technologies. Apesar disso, ainda há muitos pontos que precisam avançar. A expectativa é que a transação e as aprovações necessárias sejam definidas até outubro.

Enquanto um time trabalha para identificar gaps e sinergias, a organização passa a mensagem de benefícios e previsão de poucos impactos na operação – pelo menos em um primeiro momento pós-conclusão da compra, anunciada no final de 2015 e avaliada em US$ 67 bilhões.

Existem algumas certezas que surgem em meio a muita neblina. Michael Dell já revelou que as companhias terão seu capital fechado. Isso, a princípio, não se aplicará apenas para VMware, que continuará no mercado de capitais.

Além disso, a companhia não esconde que trabalha para avaliar áreas onde há sobreposição de recursos humanos. Cortes estão previstos, mas os executivos que fazem os estudos não revelam quantos funcionários podem ser cortados ou em que áreas atuam.

Outra ponto que ainda precisa ser estudado é a maneira como funcionarão as iniciativas junto ao ecossistema de canais. Diferentemente da fabricante de storage, a Dell atua com um modelo comercial indireto ainda recente. A ideia seria explorar o melhor dos dois programas.

“A estratégia de canais está em avaliação”, resume Octavio Osório, vice-presidente de vendas da EMC para a América Latina. Durante um evento da companhia, em Las Vegas, o executivo conversou com representantes da mídia na região. Boa parte das perguntas miraram o impacto do acordo com a fabricante de PCs no mercado latino-americano.

Seu discurso se alinhou bastante com o que foi possível ouvir ao longo dos outros dias do evento focado em clientes e parceiros da marca. “Vemos a compra do ponto de vista estratégico, que vai ajudar a complementar portfólio e go to market”, comentou.

Osório reforçou uma mensagem dita alguns dias antes por Michael Dell, duranto o keynote de abertura do EMC World 2016, de que enquanto uma companhia tem suas fortalezas no mercado corporativo, a outra é hábil junto ao midmarket e em rotinas de supply chain.

“Vai ser benéfico”, sintetiza o vice-presidente, garantindo uma postura de que o plano de integração vai proteger os investimentos dos clientes. “Há pouco overlap entre as soluções. As linhas são distintas. Porém, no futuro, vamos determinar o que fazer com os segmentos de produtos endereçados ao mercado de médio porte onde existe sobreposição”, afirmou.

As empresas encomendaram um estudo junto a consultoria ESG para medir o sentimento de clientes com relação a compra. A pesquisa indagou 202 executivos de TI e identificou que 75% deles indica que a fusão entre Dell e EMC é positivo para seus negócios. “Na América Latina, a percepção é ainda mais positiva”, garante o executivo.

Ainda restam muitas coisas a serem decididas nos próximos meses. Joel Brawerman, líder de pré-vendas da EMC para América Latina, acredita que a integração das operações será algo gradual, preservando o que há de melhor entre as empresas.

*O jornalista participa do EMC World 2016, nos Estados Unidos, a convite da EMC.