Motorola Moto Maxx

Quando todos pensavam que a família Moto estava completa, a Motorola anunciou um novo smartphone para concorrer na faixa de preço dos 2 mil reais, um mercado que a fabricante de Chicago não explorava desde 2011, com o Atrix. Vendido apenas no Brasil e México, o Moto Maxx chega com uma proposta clara: entregar o melhor hardware possível com uma bateria que aguente o tranco.

Lançado por R$ 2.199, o Moto Maxx traz o processador mais potente da Qualcomm, uma tela de 5,2 polegadas com resolução de 2560×1440 pixels, uma câmera com sensor de 21 megapixels, um acabamento diferenciado com traseira de nylon balístico e uma bateria de 3.900 mAh que promete durar até 40 horas longe da tomada, além dos diferenciais de software que vieram ao mundo com o Moto X.

Ele cumpre o que promete? Depois de uma semana usando o Moto Maxx como meu smartphone principal, conto minhas impressões nos próximos parágrafos.

Design e Pegada

Foi difícil encontrar um meio-termo nas opiniões de amigos com quem conversei sobre o Moto Maxx. Ou o smartphone ficou “sensacional” ou é “muito feio”. Fato é que não dá para ficar indiferente ao design do aparelho, especialmente por causa da traseira bastante peculiar, revestida com nylon balístico sobre uma camada de fibra de Kevlar, material usado em coletes à prova de bala.

Particularmente, gostei muito do acabamento do Moto Maxx. É um design que foge do plástico, vidro ou alumínio, a tríade de materiais que invariavelmente encontramos nos smartphones de outras fabricantes. A discreta moldura em volta da tela, feita de metal, ajuda a reforçar a sensação de robustez e valoriza a construção do aparelho.

Apesar de ser muito bonita, a traseira causa um problema: as tramas do tecido diminuem muito a aderência do smartphone, o que torna o Moto Maxx muito escorregadio. Foi constante a sensação de que ele poderia cair da minha mão a qualquer momento, especialmente porque, com tela de 5,2 polegadas, a pegada já não é tão segura como em aparelhos compactos.

Outro problema do nylon é que, analisando atentamente o estado da traseira do Moto Maxx após uma semana de uso, encontrei dois pontos onde o tecido está ameaçando desfiar: próximo à lente da câmera e na parte inferior. É difícil avaliar a durabilidade de um aparelho que foi lançado há uma semana, mas tenho sérias dúvidas se, depois de alguns meses, ele ainda estaria tão bonito quanto na época em que saiu da caixa.

Um detalhe que também divide opiniões são os botões físicos de voltar, início e multitarefa. Há os que gostam dessa solução; para mim, o Moto Maxx saiu da prancheta de desenhos de três anos atrás da Motorola. Só enxergo vantagens em botões virtuais: tornam o aparelho mais compacto, respondem melhor e, como são ocultos em aplicativos de tela cheia, não há perda de espaço. Isso não chega a ser um ponto negativo, mas parece um retrocesso em relação ao que a Motorola vinha apresentando.

Por fim, é válido destacar que, embora o Moto Maxx seja um trambolho na ficha de especificações técnicas, com 11,2 mm de espessura no ponto máximo e peso de 176 gramas, ele fica longe de passar uma má impressão durante o manuseio — mas o fato de saber que dentro dele há uma bateria enorme provavelmente influencia nessa sensação.

Tela

A tela do Moto Maxx tem uma das maiores definições que já vimos em um smartphone. Com 5,2 polegadas e resolução 2560×1440 pixels, estamos falando de um visor com impressionantes 565 ppi. Citei em alguns reviews de aparelhos com displays de alta definição que era “praticamente impossível” enxergar pixels individuais mesmo forçando a vista. No Moto Maxx, estou abandonando o advérbio “praticamente”.

No entanto, a altíssima definição é questionável. Primeiro porque não há muito conteúdo nessa resolução; vídeos em Full HD são esticados para serem reproduzidos. Segundo porque chegamos a um ponto em que não é mais possível diferenciar densidade de pixels na prática. Terceiro porque, se o foco é bateria, não seria mais inteligente usar uma tela que exigisse menos energia, com resolução de 1920×1080 pixels? Fazendo isso, o número de pixels cairia quase pela metade e a percepção de qualidade não seria alterada.

Ao mesmo tempo, entendo a necessidade de mercado da Motorola em tentar diferenciar seu topo de linha do Moto X, que já possui um display muito bom, e não ficar na lanterna da briga por números cada vez maiores nas especificações técnicas de tela, incentivadas principalmente por Samsung e LG.

Alguns de vocês sabem da minha tendência a preferir painéis IPS LCD, mas a tela AMOLED do Moto Maxx é muito boa. Como é típico do AMOLED, o preto é totalmente preto e as cores são bem vivas — o display tem saturação equilibrada, embora alguns tons de vermelho pareçam gritar aos olhos. Senti falta de um brilho mais forte e um branco mais neutro, mas ainda estamos falando de uma das melhores telas do mercado.

Software e Multimídia

Todos os recursos que ficaram famosos no Moto X também estão disponíveis no Moto Maxx, e isso é muito bom. Em vez de encher o Android de tranqueiras e aplicativos de utilidade duvidosa, como algumas fabricantes infelizmente ainda vêm fazendo, a Motorola está se dedicando em poucas e boas funcionalidades que, além de não incomodarem, melhoram a experiência de uso.

O Moto Maxx possui o útil Moto Tela, recurso que exibe notificações mesmo com o aparelho em standby. Com a ajuda dos sensores integrados, basta passar a mão por cima do Moto Maxx ou simplesmente movimentá-lo (como quando você tira o smartphone do bolso, por exemplo) para se dar conta do que está acontecendo. Em um deslizar de dedos, é possível exibir mais detalhes das notificações ou desbloquear a tela.

Também vale menção o Moto Voz: a qualquer momento o Moto Maxx está ouvindo o usuário, de modo que é possível enviar comandos de voz sem nunca ter que tocar no celular. Assim como no Moto X de segunda geração, é possível personalizar o comando de ativação, escolhendo algo como “Ok Moto Maxx”, “Acorda amigo” ou “Alô Alô Terezinha”. Diga a frase mágica e o Moto Maxx acordará.

Boa noite, Paulo. Tenha bons sonhos.

Eu confesso que não tenho usado muito o assistente de voz, a não ser para três comandos: “me acorde amanhã às sete da manhã” para configurar o alarme, “boa noite” para não ser perturbado com notificações enquanto estiver dormindo e “bom dia” para desativar o modo noturno e receber um breve resumo da minha agenda no dia. É legal ouvir um “durma bem” do celular, vai.

Os players de mídia são os padrões do Android, que já oferecem bons recursos. A experiência de assistir a vídeos em uma tela AMOLED de 5,2 polegadas é ótima, especialmente aqueles com cenas que abusam do preto. Infelizmente, diferente do Moto G de segunda geração, o Moto Maxx possui apenas um alto-falante, localizado na parte superior esquerda. O áudio é bom e não distorce se não estiver muito alto, mas ele merecia som estéreo.

A Motorola coloca na caixa do Moto Maxx seu novo fone de ouvido, que possui melhor encaixe, mas não é intra-auricular — portanto, não deverá agradar pessoas como eu, que gostam de isolamento de som. O novo fone de ouvido da Motorola, embora seja superior ao anterior, ainda não irá satisfazer usuários um pouco mais exigentes: em comparação com os EarPods, da Apple, que possuem formato similar, é nítida a falta de clareza dos sons, que se confundem uns aos outros.

Câmera

Historicamente, as câmeras de smartphones da Motorola não são boas. Por algum motivo, ela sempre erra a mão na saturação das fotos, na definição da imagem ou no nível de ruído. Desta vez, a empresa finalmente acertou: o Moto Maxx possui a melhor câmera que a Motorola já colocou em um smartphone.

Em ambientes com boa iluminação, o sensor de 21 megapixels consegue manter uma definição de imagem decente. É possível enxergar alguns artefatos gerados pelo algoritmo de sharpening usado pela Motorola para melhorar a nitidez do quadro, especialmente em folhas de árvores e detalhes pequenos, mas no geral o resultado é bom para um celular e deverá atender as demandas de praticamente todos os usuários.

Com uma grande abertura de f/2,0, a lente facilita a tarefa de fazer fotos com baixa profundidade de campo. A imagem desta flor, por exemplo, é algo que eu não me imaginaria capturando com uma câmera de celular há dois ou três anos.

Em situações com iluminação abaixo do ideal, o nível de ruído não aumenta significativamente, e a definição da imagem é mantida. Durante a noite, é um pouco difícil escapar de pontos de luz estourando a imagem, mas o resultado é bastante satisfatório. Um problema da câmera do Moto Maxx é que, como não há estabilização óptica de imagem, você precisará ter calma para não tremer as mãos.

Embora a Motorola abuse do pós-processamento, o que gera o aspecto de aquarela em algumas fotos, a câmera do Moto Maxx é muito boa. Desconfio que ele use o mesmo sensor do Xperia Z3 Compact, até porque a resolução é a mesma, de 20,7 megapixels (o número de 21 megapixels é um arredondamento da Motorola). Sendo igual ou não, o algoritmo de imagem de Chicago se mostrou melhor que o de Tóquio.

Hardware e Conectividade

O Moto Maxx traz o melhor chip da Qualcomm disponível atualmente, um Snapdragon 805 com processador quad-core de 2,7 GHz e GPU Adreno 420. Ele trabalha em conjunto com 3 GB de RAM. Com um hardware potente e um Android puro, é desnecessário dizer que o smartphone da Motorola não engasgou em nenhum momento, mesmo quando tentei levá-lo ao limite, com muitos aplicativos abertos ao mesmo tempo.

A tela de 2560×1440 pixels não intimida a Adreno 420. Dead Trigger 2 com os gráficos na configuração alta não dá o menor sinal de travadinha ou diminuição na taxa de frames. Real Racing 3 e Asphalt 8: Airborne rodam suaves como manteiga. Todas as animações do Android são bastante fluidas, o que será ainda mais importante com a atualização prometida para o Lollipop, que traz uma série de efeitos do Material Design.

Com certeza o fator em que o Moto Maxx mais se destaca é o armazenamento de 64 GB, dos quais 52 GB estão disponíveis para o usuário. Isso é ainda mais importante se considerarmos que o mercado brasileiro ainda possui smartphones que, embora custem mais caro que os R$ 2.199 do Moto Maxx, trazem míseros 16 GB de espaço. Com o barateamento das memórias flash, é inadmissível que isso ainda aconteça em pleno ano de 2014.

Nas conexões, o Moto Maxx oferece tudo o que o usuário tem direito: Wi-Fi 802.11ac em banda dupla, NFC liberado, Bluetooth 4.0 LE e suporte ao 4G brasileiro. Bastante peculiar, a bandeja para colocar o chip Nano-SIM nada mais é do que o botão de volume. É uma solução discreta e não exige nenhum acessório para remover o SIM card (apenas a unha do seu dedo).

Bateria

Com 3.900 mAh, o Moto Maxx é o smartphone com a maior capacidade de bateria disponível hoje no mercado brasileiro. E todo esse número realmente faz diferença. Durante os dias de teste, mesmo fazendo tarefas que não faço normalmente, sempre consegui chegar até o fim do dia com carga. A autonomia do Moto Maxx será suficiente para praticamente todos os tipos de usuário.

No entanto, a estimativa de duração de bateria fornecida pela Motorola, de 40 horas, me pareceu um pouco otimista. Embora eu não tenha tido problemas com a autonomia, acho difícil o usuário médio chegar a esse número. Vale lembrar que, nos Estados Unidos, um modelo quase idêntico ao Moto Maxx, o Droid Turbo, é anunciado como tendo 48 horas de autonomia, o que pelos meus testes só pode ser alcançado se você dosar muito o uso.

Em um cenário de uso intenso, tirei o Moto Maxx da tomada às 10 horas, ouvi músicas e podcasts por streaming no 4G por duas horas, assisti a um vídeo em 720p por 50 minutos, naveguei na web (entre emails, sites e redes sociais) por mais duas horas no 4G e tirei cerca de vinte fotos. O brilho permaneceu no automático. À meia-noite, a carga chegou a 25%, com 3h53min de tela ligada.

Já em um cenário mais leve, sem exagerar no uso de dados, o Moto Maxx foi muito bem. Assisti a um vídeo em 720p por duas horas, ouvi cerca de três horas de música armazenadas no próprio aparelho e naveguei na web por cerca de meia hora. Durante quase todo o tempo, o aparelho permaneceu conectado a uma rede Wi-Fi. Nesse caso, a bateria só bateu os 24% após mais de 30 horas, uma marca muito boa.

No teste de streaming por Wi-Fi na Netflix, com O Poderoso Chefão: Parte II, o Moto Maxx ficou 9h36min com o brilho no máximo até a bateria zerar, o que é um tempo muito impressionante. Basta lembrar que, em média, os smartphones conseguem algo entre cinco e seis horas de autonomia neste teste.

Por esses números, fica claro que o grande vilão da bateria do Moto Maxx é a rede da operadora. Mas mesmo se você depender muito do 3G ou 4G para usar seu smartphone, ainda assim o smartphone da Motorola conseguirá aguentar com folga um dia inteiro de uso intenso.

Não dá para deixar de mencionar o carregador Turbo Motorola, que vem na caixa do Moto Maxx. Além do modo de carregamento padrão, a 8W (1,6A em 5V), ele possui dois modos de carregamento rápido de 14,4W (1,6A em 9V e 1,2A em 12V). A velocidade com que o nível de bateria do Moto Maxx sobe é notável: em 25 minutos, consegui elevar a carga de 15% para 48%.

Notas Relevantes

  • O Moto Maxx é um aparelho “repelente à água”. Você não precisa se preocupar caso esteja chovendo ou um copo de água caia sobre o aparelho, mas terá problemas caso ultrapasse esse limite. A Motorola poderia investir em uma carcaça à prova d’água, como os concorrentes Xperia Z3 e Galaxy S5.
  • Na porta USB de um MacBook Air, o Moto Maxx levou intermináveis 40 minutos para subir a bateria de 18% para 26%. Cuide com carinho do carregador Turbo Motorola. Você foi avisado.
  • Não há entrada para cartão de memória, mas fica difícil apontar isso como ponto negativo em um smartphone com absurdos 64 GB de armazenamento interno.
  • Com traseira de nylon balístico e fibra de Kevlar, deixe o Moto Maxx sempre no bolso da camisa para se proteger de tiroteios.

Conclusão

Não por descuido, o título deste review carrega a mesma frase que usei para descrever o RAZR Maxx, lançado em 2012. O Moto Maxx é um aparelho que faz jus ao nome, com uma duração de bateria muito acima da média do mercado. Em conjunto com o carregador potente, que oferece horas de autonomia com apenas alguns minutos na tomada, ele irá preencher as necessidades de qualquer usuário intenso de smartphone.

Se a bateria do Moto Maxx é muito boa, o conjunto não fica atrás. A qualidade do hardware é inquestionável, ainda mais para um aparelho com preço sugerido de R$ 2.199, um valor de lançamento significativamente mais agressivo que o de smartphones como Samsung Galaxy S5 (R$ 2.599) e Sony Xperia Z3 (R$ 2.699).

Eu ainda acho que, para boa parte das pessoas, o Moto X de 2ª geração continua oferecendo a melhor relação custo-benefício no universo Android: em relação ao Moto Maxx, você perde duração de bateria, capacidade de armazenamento e qualidade de câmera, mas ainda terá, por um preço muito interessante, um aparelho com construção de alto nível e desempenho excelente que irá durar por um bom tempo.

Já para quem estiver disposto a gastar mais, o Moto Maxx é uma aposta certeira. Com tela de alta definição, desempenho impecável, acabamento premium e uma câmera bastante satisfatória, ele praticamente não possui defeitos, e os poucos pontos negativos não ofuscam os positivos. É, sem dúvida, um dos melhores smartphones do mercado — e talvez o melhor Android da atualidade.

Especificações técnicas

  • Bateria: 3.900 mAh;
  • Câmeras: traseira de 21 megapixels, frontal de 2 megapixels;
  • Conectividade: 3G, 4G, Wi-Fi 802.11ac, GPS, NFC, Bluetooth 4.0 LE e Micro USB 2.0;
  • Dimensões: 143,5×73,3×11,2 mm;
  • GPU: Adreno 420 de 600 MHz;
  • Memória externa: sem suporte a expansão;
  • Memória interna: 64 GB (52 GB disponíveis para o usuário);
  • Memória RAM: 3 GB;
  • Peso: 176 gramas;
  • Plataforma: Android 4.4.4 KitKat (com atualização garantida para o Android 5.0 Lollipop)
  • Processador: quad-core Qualcomm Snapdragon 805 de 2,7 GHz;
  • Sensores: acelerômetro, bússola, giroscópio, infravermelho, proximidade;
  • Tela: AMOLED de 5,2 polegadas com resolução de 2560×1440 pixels (565 ppi) e proteção Gorilla Glass 3.