Rei do iPhone abre nova loja e triplica número de funcionários

O dia 25 de abril poderia ser apenas mais um atendimento de rotina na loja de reparos e assistência técnica de celulares do libanês Wissam Tie, mas mudou a vida do empreendedor. Tudo começou quando o consultor Caio Rossini buscava atendimento na região da Santa Ifigênia, no centro de São Paulo, conhecida pelos quiosques de eletrônicos. No primeiro orçamento na rua, cobraram R$ 180 pelo serviço. Inconformado com o preço, Caio continuou a pesquisa até chegar no quiosque de Tie, o Rei do iPhone. O técnico limpou o plug de carregamento do aparelho que estava sujo de poeira e não cobrou pelo trabalho. Pediu apenas que Caio recomendasse a loja para os amigos no Facebook. Até a publicação desta matéria, a foto do cartão da loja com a recomendação positiva foi curtida por mais de 333 mil pessoas, e compartilhada mais de 72 mil vezes.

Wissam conta que um dia após o atendimento de Caio, já sentiu uma melhora no movimento da loja. Mas foi na segunda-feira que o Rei do iPhone e seus dois funcionários sentiram o impacto do boca a boca em sua Página do Facebook. Antes recebiam 15 clientes por dia, mas, na primeira semana, eles chegaram a atender 600 pessoas. Hoje o movimento estabilizou, mas ele prefere não revelar o número. “Nós crescemos muito”, conta o comerciante, sentado em uma das cadeiras do novo espaço que tem capacidade para cerca de 30 pessoas. “Temos agora nove técnicos e três organizadores”, comenta. Ele também conta o impacto do post na região. “Não foi só a gente que saiu ganhando. A moça do cafézinho, o rapaz da loja da frente, até os concorrentes saíram ganhando. Movimentou todo o comércio local”, diz.

O empreendedor explica que o quiosque já se destacava pelo cuidado e transparência, além dos funcionários uniformizados e sempre dispostos. “Nossa clientela antes já era relativamente boa, mas faltava um empurrão. Claro que não contava com esse ‘boom’ que tivemos com o post no Facebook, mas conseguimos manter o padrão de qualidade e cativar cada vez mais clientela”, afirma. Ao invés dos tradicionais “puxadores”, pessoas que fazem ofertas gritando no meio da rua para tentar levar clientes para as lojas, o Rei do iPhone aposta em atendimento com cafézinho, bolo e simpatia para qualquer um que encosta no balcão.

Facebook Fotos: divulgacão
Facebook Fotos: divulgacão

Dando conta da demanda

Em apenas dois meses, Wissam correu para suprir demanda por reparos. Precisou fazer reparos na linha telefônica que não parava de tocar e abriu um novo espaço em uma galeria próxima para não deixar os clientes esperando em uma fila na rua. Para dar conta dos atendimentos que chegam pela Página no Facebook, contratou duas jornalistas. “Elas sempre respondem os clientes pelo Messenger. Tentamos dar o suporte básico na Página ou encaminhar o cliente até a loja”, explica.

Como nem só de avaliações positivas vive um empreendedor, ele se preocupa em sempre melhorar. “Se dermos um vacilo com o cliente, também vai estar na internet. Se você olhar as minhas avaliações, tenho 800 cinco estrelas e 40 que me deram uma estrela. Leio todas. A gente entra em contato com o cliente, com alguns realmente não dá para chegar a um acordo porque foge das diretrizes da loja ou da garantia”.

Wissam trabalha há nove anos no centro da capital, sempre com uma curiosidade especial para tecnologia e eletrônicos. Há três anos, percebeu um aumento na procura por reparo de celulares, como troca de bateria e telas quebradas. Contratou um técnico e aprendeu com ele tudo o que precisava para manter a loja. E logo percebeu a importância do trabalho que estava fazendo. “Hoje estamos o tempo inteiro no celular. Quando eu conserto um celular, eu sei o desespero em que a pessoa estava por se sentir desconectada de informação”, diz.
Para os empreendedores que investem em Facebook, ele fala sobre a experiência de lidar com uma demanda inesperada. “Isso não é um problema. Eu espero que todo o empreendedor que invista em um negócio consiga realmente atingir um grande público. Propaganda sempre foi e sempre será a alma do negócio”, comenta. E completa: “O Facebook é uma ferramenta muito forte. As pessoas falam das próprias experiências com quem elas conhecem, e isso serve como a melhor referência possível”, afirma.